Eu não gostava de você. Eu não desgostava de você. Eu não tinha reparado em você.
Um dia certo alguém me perguntou: “Você gosta dela?”
Um dia eu respondi a certo alguém: “Ela?! Não, não tem nada a ver”
Não foi um não digno de exclamação. Foi não de ponto final. Não.
Afinal ela não era das mais feias. Olhei pra você. Olhei pra lembrança de você no meu pensamento.
Mais feias é eufemismo. Era das belas. Mais belas.
E das mais jeitosas também. No pouco de atenção que tinha prestado em você, era encantadora, eu ousaria dizer.
-olho de novo-
-Ela é meio diferente não?
Comento comigo mesmo, e na minha normalidade e educação usual me respondo:
-É, diferente… mas um diferente bom. Dizem que é charme.
-Ela é rock and roll
-Pseudo. Pseudo rock and roll. Pseudo Hippie. Pseudo muita coisa.
-Pseudo bela, isso sim.
-Bela, eu diria. Sem pseudo. Com pseudos
-o tempo passa-
Reparei em você. Fiz graça pra você. Uma graça, umas duas, algumas.
Mandei uma indireta pra você. Nada demais. Gosto de você, não sou louco apaixonado por você… Vai que cola.
Mandei mais de uma, umas duas, algumas umas.
Raios de internet. Falei demais. Falei verdade?
-Pra que isso tudo? Você nem é apaixonado por ela. Ou é? Ou sou? - Eu, sempre falante, me interrogo a mim mesmo.
-Não… Acho que não… Mas vai que cola!
Mas já é não sem nem ponto final. É não esticado, que escorrega da boca. É não com reticências, um daqueles que significa sim.
Você? Você não dá bola. Você não responde. Você também não apaga…
Raios de intenet, séc. XXI, anti-romançe, pró-loucura. No tempo das cartas era melhor, até ter te enviado-as já tinha perdido a coragem. Se a coragem ficasse ficava junto a desculpa que o correio extraviou na falta de resposta sua, explicado.
Você respondeu!
Você se diz confusa.
Colou. Não colou. Concerteza. Nada a ver, tudo enrolação. Papo feminino.
Eu e eu mesmo discutimos. Temos opiniões diferentes, quase brigamos.
-Confusa? Tudo bem, temos tempo. - Falei. Falamos
-o tempo sempre passa-
“Vou embora”, você me disse.
Tudo dói. Não sinto perna, braços, boca, não sinto nada. Sinto dor em tudo.
- É, vou pra São Paulo.
Dizem que se você corta ou bate forte alguma parte do corpo a dor muda de foco. Faltou coragem, sobrou dor no meio do peito. Centro-esquerda. A dor quando é ai só aumenta com o tempo.
-você foi-
Despedi-me. Queria ter me despedido melhor. Queria não ter me despedido. Queria não ter me desprendido.
-E ai? Ainda gosta dela? - Aquele mesmo primeiro alguém me perguntou. Eu mesmo já tinha me feito essa pergunta muitas vezes. Eu não sabia responder.
-Ela foi embora, isso responde. - Um de mim respondeu.
-saudade, saudade dói, dor boa de sentir, alimentavel-
Você voltou. Você só fica o fim de semana. Você fica, o fim de semana, mas fica.
-Você mudou - você me disse.
-É, to diferente. Um diferente meio rock and roll. Pseudo rock and roll.
-Gostei
-o tempo sempre passa, até um fim de semana passa-
-Acabou. Tinha que acabar. - Me consolo
-Fiz tudo errado. Quase tudo. Mudaria uma coisa.
-O que?
-Faltou atitude. Ela se disse confusa. Falaria que faria a cebeça dela. Falaria alguma coisa bela, forte. Falaria, ao menos.
-Não não, seria clichê.
-De certo seria… Combinados, na próxima serei clichê. Pelo menos a teria agora. Talvez a teria. Mais provavel que não… Tentaria ao menos. Por ela
-Lucas R. Ferreira