Num Dia Desses

Eu, que um dia vi o mundo anseiei por um mundo melhor. E como quem anseia insuportavelmente o fim da fome no mundo, como quem odeia o odio da violencia e como quem recrimina a ignorancia que mantem a os fracos oprimitos eu gritei. Eu que um dia gritei com o mundo, como quem grita com todas as vozes, de pulmão, útero e coração, como quem balança alguem para despertar-lhe o sono tentei balançar o mundo. Eu, que um dia gritei e não fui ouvido, me agitei e fiz estardaço fui ignorado e como negado que fui me intristessi. Eu, que um dia me intristessi caminhei como quem caminha cabisbaixo, e olhei como que olha pra dentro. Eu, que um dia olhei pra dentro e me vi, vi hipocrisia em mim, como alguem violento contra quem no meu ego esbarra, como quem ignora o que pede por atenção, como quem sabe aonde existe a fome e escolhe não passar por perto. Eu, que um dia comecei a mudar o mundo fazendo uma revolução em mim.


-Lucas R. Ferreira

"eu queria tanto
ser um poeta maldito
a massa sofrendo
enquanto eu profundo medito
eu queria tanto
ser um poeta social
rosto queimado
pelo hálito das multidões
em vez
olha eu aqui
pondo sal
nesta sopa rala
que mal vai dar para dois"

— Paulo Leminski

"Citação final.
‘Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.’"

— Oswaldo Varanda Montenegro

"Consideração final. Porque agora a vida será escrita por ações, não mais por palavras."

— Desconhecido

Belo Horizonte, terça-feira, 26 de abril de 2011

Querida Bailarina,

 Deixo-lhe esta carta pra dizer que o tempo não foi forte o suficientemente para me afastar de ti, apesar das distancias entre nós, a física e, principalmente, a que você nos impôs.
 A verdade, minha cara, é que te mantive comigo, te mantive em mim. A lembrança de você é tanta e é em tantos que vivi você diariamente, no rock and roll dos meus vinis dos Beatles,
enfrentando fila no Café com Letras, nas palavras de Machado, perambulando  pela Savássi. Cheguei a tomar o café da Travessa, que eu pensei que era também do teu agrado, e pensando assim nisso também eu vivi você. Eu busquei você em tantos lugares, tantos cheiros, tantas palavras que faziam sentido por saber que você as leu antes de mim.
 Meu amor, chega de tudo isso, os discos do Beirut já não me trazem a alegria de você senão a tristeza da saudade que me causasaste e a impotência de não agarrá-la pelos braços.
 Peço que deixe me ir de ti, que não venhas mais como de costume iluminar um fim de semana meu para que pelos próximos 3 meses eu viva a ideia de você. Peço-lhe encarecidamente que me entendas, se o tempo não me foi capaz de lhe fazer esquecer, deixe-me tu, ter sucesso no esforço de parar de lembrar.
 Cansei das tuas saudades sem braço nem perna, sem ação, sem a mínima pretensão de serem finitas e que nunca pensaram em me procurar. Cansei da tentativa de me enquadrar em tuas expectativas, de ser pseudo-rock, de não ter pseudo-amor. Cansei de concordar com o seu João Cabral de Melo Neto em dizer que o amor levou, comeu, corroeu e matou tudo que tinha, e que agora que não te tenho não me lembro quem eu fui antes de ti.
 Não chores bailarina, não cansei de ti, cansei sim do seu efeito alucinógeno em mim, na inveja de japoneses que tu me causaste, do mergulho e da retirada forçada de um mundo que não era meu e agora é tudo que eu tenho. Mas nunca de ti, nunca dos teus olhos de ressaca.
 Falar-te-ei mais, far-te-ei um livro, mas se as palavras não surgirem sentido é em função de o sentimento ser de tal maneiro confuso. Vêem-se, as palavras são para expressar os sentimentos, a poesia dá a essas palavras a beleza dos sentimentos, os enfeita, põe um laço cor-de-rosa na sua cabeça. Porem, de que a beleza nas palavras se então a beleza do sentimento não lhe causa a (re) ação esperada e se o meu “eu te amo” só desperta em ti gratidão?
 Eis aqui em teus olhos uma carta de despedida, não para sempre porque de certo nos veremos ainda algumas boas vezes, despeço de ti o meu amor, espero que a ele dê o respeito e o mérito merecido.
 Há tanto mais para dizer, mas já não vejo sentido nisso. Tanto já foi dito, tanto mais foi escrito, poucas foram as respostas. Espero que isso tudo passe e quem sabe um dia eu aceite a decadência de te chamar de amiga.

Por Hora,

Ex-Aprendiz de Pierrot

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Dialogo a três

Eu não gostava de você. Eu não desgostava de você. Eu não tinha reparado em você.
Um dia certo alguém me perguntou: “Você gosta dela?”
Um dia eu respondi a certo alguém: “Ela?! Não, não tem nada a ver”
Não foi um não digno de exclamação. Foi não de ponto final. Não.
Afinal ela não era das mais feias. Olhei pra você. Olhei pra lembrança de você no meu pensamento.
Mais feias é eufemismo. Era das belas. Mais belas.
E das mais jeitosas também. No pouco de atenção que tinha prestado em você, era encantadora, eu ousaria dizer.

-olho de novo-

-Ela é meio diferente não?
Comento comigo mesmo, e na minha normalidade e educação usual me respondo:
-É, diferente… mas um diferente bom. Dizem que é charme.
-Ela é rock and roll
-
Pseudo. Pseudo rock and roll. Pseudo Hippie. Pseudo muita coisa.
-Pseudo bela, isso sim.
-Bela, eu diria. Sem pseudo. Com pseudos

-o tempo passa-

Reparei em você. Fiz graça pra você. Uma graça, umas duas, algumas.
Mandei uma indireta pra você. Nada demais. Gosto de você, não sou louco apaixonado por você… Vai que cola.
Mandei mais de uma, umas duas, algumas umas.
Raios de internet. Falei demais. Falei verdade?
-Pra que isso tudo? Você nem é apaixonado por ela. Ou é? Ou sou? - Eu, sempre falante, me interrogo a mim mesmo.
-Não… Acho que não… Mas vai que cola!
Mas já é não sem nem ponto final. É não esticado, que escorrega da boca. É não com reticências, um daqueles que significa sim.
Você? Você não dá bola. Você não responde. Você também não apaga…
Raios de intenet, séc. XXI, anti-romançe, pró-loucura. No tempo das cartas era melhor, até ter te enviado-as já tinha perdido a coragem. Se a coragem ficasse ficava junto a desculpa que o correio extraviou na falta de resposta sua, explicado.
Você respondeu!
Você se diz confusa.
Colou. Não colou. Concerteza. Nada a ver, tudo enrolação. Papo feminino.
Eu e eu mesmo discutimos. Temos opiniões diferentes, quase brigamos.
-Confusa? Tudo bem, temos tempo. - Falei. Falamos

-o tempo sempre passa-

“Vou embora”, você me disse.
Tudo dói. Não sinto perna, braços, boca, não sinto nada. Sinto dor em tudo.
- É, vou pra São Paulo.
Dizem que se você corta ou bate forte alguma parte do corpo a dor muda de foco. Faltou coragem, sobrou dor no meio do peito. Centro-esquerda. A dor quando é ai só aumenta com o tempo.

-você foi-

Despedi-me. Queria ter me despedido melhor. Queria não ter me despedido. Queria não ter me desprendido.
-E ai? Ainda gosta dela? - Aquele mesmo primeiro alguém me perguntou. Eu mesmo já tinha me feito essa pergunta muitas vezes. Eu não sabia responder.
-Ela foi embora, isso responde. - Um de mim respondeu.

-saudade, saudade dói, dor boa de sentir, alimentavel-

Você voltou. Você só fica o fim de semana. Você fica, o fim de semana, mas fica.
-Você mudou - você me disse.
-É, to diferente. Um diferente meio rock and roll. Pseudo rock and roll.
-
Gostei

-o tempo sempre passa, até um fim de semana passa-

-Acabou. Tinha que acabar. - Me consolo
-Fiz tudo errado. Quase tudo. Mudaria uma coisa.
-O que?
-Faltou atitude. Ela se disse confusa. Falaria que faria a cebeça dela. Falaria alguma coisa bela, forte. Falaria, ao menos.
-Não não, seria clichê.
-De certo seria… Combinados, na próxima serei clichê. Pelo menos a teria agora. Talvez a teria. Mais provavel que não… Tentaria ao menos. Por ela

-Lucas R. Ferreira

 

Com o fim de tudo que se foie o começo de tudo que agora éNão, não pense que fui eu quem mudou, que já não sousim, a minha percepção que é outra depois do que se foiMe percebo forte, me ostento seguronão é uma brisa que me leva ao chãoMe sinto suficiente, me mantenho a calmaAs desilusões que confesso me terem um dia derrubado perderam o efeitoEu já não perco o ânimo por fatos visMinhas prioridades mudarameu já não tenho tempo para distraçõeseu conheço a verdade, eu vi o mundo como ele realmente éNão temo o trabalho duro, temo o fracasso da minha preguiçaeu sei que meu esforço será recompensado, eu superarei as expectativasNão temo o passar do tempo, temo a minha estagnaçãomas tenho mais que coragem e força de vontade, eu tenho paciênciaeu me tornarei o que eu sei que souNão temo o mundo, maior é a força que está em mim

Lucas R. Ferreira

Com o fim de tudo que se foi
e o começo de tudo que agora é
Não, não pense que fui eu quem mudou, que já não sou
sim, a minha percepção que é outra depois do que se foi
Me percebo forte, me ostento seguro
não é uma brisa que me leva ao chão
Me sinto suficiente, me mantenho a calma
As desilusões que confesso me terem um dia derrubado perderam o efeito
Eu já não perco o ânimo por fatos vis
Minhas prioridades mudaram
eu já não tenho tempo para distrações
eu conheço a verdade, eu vi o mundo como ele realmente é
Não temo o trabalho duro, temo o fracasso da minha preguiça
eu sei que meu esforço será recompensado, eu superarei as expectativas
Não temo o passar do tempo, temo a minha estagnação
mas tenho mais que coragem e força de vontade, eu tenho paciência
eu me tornarei o que eu sei que sou
Não temo o mundo, maior é a força que está em mim

Lucas R. Ferreira

Eu só queria que soubesse que inventei uma palavra

Mas explico-te, não é devido ao léxico atual ser incompleto que eu a fiz

Na verdade existe uma expressão com o significado em tese semelhante,

Porém a palavra que lhe fiz só tem consoantes,

assim nunca será dita em falsos juramentos

Esta só tem as letras que a formam quando usada para você

por isso ela nunca será desgastada pelo seu vasto uso

E ela não será banalizada por ser igualmente usada em situações de diferentes intensidades

Não, você não a ouvirá de nenhuma outra boca e eu não direi a nenhuma outra pessoa

Entenda-me, tal palavra tem sentido similar a “eu te amo”

Eu só queria que houvesse expressão de significado comparavel a intensidade que isso é pra mim


Lucas R. Ferreira

Tags: amor love

Escondida nas palavras dos poetas
Sabedoria conquistada na prática ao compasso dos tempos pelos sábios
e os novos e inesperientes certamente ainda hão de descobrir
É o que os céticos insistem em duvidar
e os romanticos, machucados ou não pelas ilusões, agem conforme ela
É a verdade que uma vez levou um homem a salvar o mundo
E mesmo que eu tentado a não revela-la por um momento reluto em dizer
como um homem que reluta a entregar a descoberta de um grande tesouro
mas pelo meu inconstante altruismo
na ocasião pelo dito que conhecendo a verdade ela vos libertaria
ou talvez apenas a impolgação com a boa nova
tal qual um menino ao ganhar um presente da de imediato o conhecimento aos amigos
eu sem mais delongas, comprarçoes ou vãs vilosofias vos entrego a verdade
e esta é ela meu caros: que o amor vale a pena, sim, apesar dos pesares
e por falta de expressão é que faço então minhas as palavras uma vez ouvidas
os romanticos entendão o jeito clichê que elas soam, mas são estas: que o amor é amargo e doce, e que os conflitos e loucuras as quais constituem o amargo aumentam o sabor do doce.
A verdade é que sem o amargo, o doce não seria tão doce

Lucas R. Ferreira

Vamos falar de medicina alternativa, aquelas que os sábios cultivam a anos.
Vamos mostrar os segredos a 2 mil anos guardados no silencio (de palavras) das ações.
Vamos contar ao mundo que o segredo longanimidade é a mansidão de espírito,
Que contra a depressão o melhor remédio são as (poucas e) boas amizades
Que pra curar a dor no coração deve-se cultivar o perdão
Contemos que o choro e a culpa calados pela alma envelhecem os ossos,
e que o segredo da felicidade é a simplicidade e o contentamento com o pouco
(e que sendo fiel no pouco sobre o muito será colocado)
Ah, corre e vem comigo! Falemos nós ao mundo sobre o amor, contemos aos povos (se é que eles não sabem) que esse é a cura de todo mau

Lucas R. Ferreira

Hoje, no Dia internacional de memória ao Holocausto eu quero trazer à memória o que me traz esperança. Eu não quero lembrar dos 6 milhões de judeus assasinados, ou dos outros números de mortes dessa guerra infame, como os 17 milhões de soviéticos dos quais 9,5 milhões eram civis. Eu definitivamente não quero imaginar cenas como a de crianças sem pais ou de mulheres sem cabelo ou dignidade lamentando a morte de seus maridos, pais e filhos. Eu me recuso a lembrar dos homens que foram condenados por seus crimes contra humanidade e que um homem liderou um país inteiro movendo-o pelo ódio ao proximo simples orgulho de se achar superior. Eu quero lembrar que existiu um homem, um alemão, que salvou 1.100 judeus. Eu quero trazer para mim o sentimento de revolta desse homem por deixar de salvar mais uma vida. Eu quero lembrar que um só homem, formado da mesma carne e osso que eu salvou gerações e que mesmo depois disso ele sentiu vergonha de si mesmo. Oskar Schindler (Zwittau-Brinnlitz, 28 de Abril de 1908 — Hildesheim, 9 de Outubro de 1974)(trecho de: A Lista de Schindler “Schindler’s list”)